A idolatria a personagens 2D



Ohayooo! Koto aqui novamente. :3
Hoje vou falar sobre a crescente idolatria a personagens 2D. Acredito que todo mundo tenha aquele amigo obcecado por algum personagem de anime/mangá/jogo. E se você não tem, comece a refletir porque você pode ser esse amigo (fudshjfikdso brinks, gente <3).


Mas, brincadeiras a parte, essa obsessão por personagens 2D tem se tornado cada vez mais frequente, principalmente entre os mais jovens. Quando falo de idolatria, não me refiro àqueles meninos(as) que são muito fãs de um personagem e tem uma pasta no pc com duzentas fanarts e 3 posters no quarto. Me refiro a quando isso passa do limite do saudável, quando começa a interferir na vida pessoal. Aquele menino ou menina que parou de sair com pessoas reais, por exemplo, porque prefere ficar no quarto assistindo over and over again aquela cena que o personagem favorito aparece sem roupa.
Esse tipo de obsessão, claro, é bastante explorada pela indústria midiática, principalmente no Japão. Não é a toa que vemos centenas de animes, mangás e jogos completamente baseados em fanservice.

Wikipedizando o post (resumi porque a explicação era gigante):

Fanservice é um termo utilizado nas mídias visuais, particularmente por fãs de mangá e anime, referindo-se a elementos superflúos à história principal, mas incluídos para divertir, entreter ou atrair a audiência. Muitas vezes incluem situações de forte conotação sexual ou erótica (ecchi).

Eu, particularmente, não tenho tido muita paciência para consumir mídias que se utilizam muito de fanservice. Tentei assistir Free!, não passei do quarto episódio. Comprei o volume 1 do mangá de High School DxD e vendi logo que terminei de ler. Mas isso sou eu, minha experiência pessoal. Existem milhares de pessoas que consomem vorazmente esse conteúdo, o que dá respaldo para a indústria midiática produzir mais e mais disso, por um único motivo: dá lucro. 


 Lucro, gente. MUITO lucro.

Claro que essa idolatria é extremamente positiva em termos de consumo, muitas empresas (e consequentemente, seus funcionários) se beneficiam com isso. Mas será que isso é positivo na vida pessoal dos consumidores? É um tanto preocupante a quantidade de adolescentes que tem trocado relações físicas (sejam elas amorosas ou apenas relações de amizade) por telinhas brilhantes com cores vibrantes e personagens usando apenas roupa de baixo.
No segundo semestre de 2014, foi lançado o vídeo Me! Me! Me! de Teddy Loid feat. daoko, que causou bastante polêmica. O vídeo dá brecha para diversas interpretações, mas eu o interpreto como uma forma de ilustrar essa obsessão pelo 2D.

Nesse link tem uma explicação bastante interessante sobre o vídeo (está em inglês).
“Resumindo” o link acima, pra quem não entende inglês ou quem tá com preguiça de ler tudo: o vídeo traz a história de um rapaz que acabou de terminar com a namorada. Ele se sente pressionado e então se tranca no seu quarto. O vídeo dá a entender que, embora tivesse uma namorada, eles ainda não tinham “consumado” o relacionamento (ew, odeio essa expressão), ou seja, ele ainda era virgem. Como um garoto adolescente hétero, ele é atraído por mulheres e tem fetiches, as objetifica. Mas, como representado pelo seu porta-retrato digital, a visão que ele tem das mulheres está corrompida. Ele as vê como uma prisão complexa e tentadora, se sente oprimido. Quanto mais ele pensa sobre o assunto, mais ele sente como se as “mulheres” estivessem invadindo o seu  “santuário sagrado”, seu quarto. E, na sua imaginação, até suas amadas 2D se viram contra ele. Ele tenta se defender do “inimigo” (as mulheres) usando o contexto imaginário que é familiar a ele, o videogame sci-fi. Tenta se livrar das memórias dolorosas, mas fazendo isso acaba machucando a si mesmo. A afeição dele pela namorada o atinge, ele deseja um relacionamento normal com as meninas. Mas a rainha “alienígena” das mulheres mantém juntos tanto seu medo quanto sua atração por mulheres. A rainha despedaça suas memórias. As mulheres usam de sua “feminilidade” para atacá-lo. Ele tenta se defender, mas elas são mais fortes. A namorada dele, do lado inimigo, o beija. O beijo o deixa em pedaços, um homem destruído. O vídeo termina do jeito que começou: o menino sozinho, no seu quarto, na companhia de suas amadas bonecas 2D que não podem de jeito nenhum machucá-lo.

Ok, eu sei que foi um resumo imenso, mas o vídeo é realmente muito extenso e intenso, espero que tenha ficado claro. 

 Imagem retirada do vídeo: as meninas da imaginação corrompida do protagonista.

Como eu mencionei antes, quando o “Me! Me! Me!” foi lançado, espalhou-se uma polêmica mundial sobre o real significado do vídeo e como ele era “bizarro” (o vídeo contem cenas pornográficas e cenas gore). Não achei nada demais, se você interpreta do modo como expliquei acima. É a imaginação do garoto, então é algo “livre”, não tem censura.
De todo modo, o vídeo ilustra essa relação entre os chamados “otakus” e os personagens 2D. No vídeo é um menino, mas isso acontece também com meninas (embora, com base em minhas observações PESSOAIS, com meninos seja mais frequente).
A maioria das pessoas pensa que esse tipo de relação de dependência é exclusiva do Japão, mas não é.  Tenho visto muitos exemplos disso aqui no Brasil, mesmo. É só prestar atenção.
Tem quem diga que é algo bobo, que é “saudável” ser fã de algo, mas eu particularmente acredito que existe limite pra tudo, principalmente pra ser “fã de algo”. Como já disse anteriormente, não vejo nada demais em amar algum personagem: todos nós somos fãs de algum, seja ele originado de anime, mangá, série, filme, HQs, jogos ou o que for. O que não dá é deixar de viver a vida real em função disso.
Por mais que seja legal passar horas jogando ou assistindo algo que gostamos, a vida está lá fora, na luz do dia, no relacionamento interpessoal.

Se você sentiu que esse post foi feito pra você, saia do quarto. Saia de casa, saia do computador. Vá ver os passarinhos, vá ver o sol, vá ver as pessoas. Não vale a pena ver a vida passar diante dos seus olhos enquanto você fica o dia todo sentado no computador. 
Procure um curso, por exemplo, algo que vá acrescentar na sua vida tanto pessoal quanto profissional. Não precisa deixar de assistir animes, jogar, nem fazer nada que você goste. Mas tudo na vida precisa de equilíbrio. Uma boa ideia pode ser aprender um idioma. Japonês pode ser muito útil pra quando você quer assistir aquele episódio ou ler aquele capítulo do mangá que ainda não foi traduzido. Aprender inglês pode ser útil pra quem gosta muito de séries (meu caso, minha vida mudou depois que aprendi inglês. Agora não sofro mais esperando legenda dhusajifkos). Ou, se você não gosta de idiomas, que tal um curso de desenho? Você pode fazer suas próprias fanarts, e pode até encontrar um talento que você nem sabia que tinha.

Enfim, a vida é pra ser vivida, não pra ser assistida passar. É sempre bom refletir o que você está fazendo com a sua. Quando você se arrepender pode ser tarde demais. </3

E você, conhece alguém assim? Se identificou em algum ponto? O que acha do assunto? Deixem nos comentários! <3

Juliana Degel

4 comentários:

  1. Koto, eu discordo de você em um único ponto, o que se passa no vídeo não é algo exclusivo de um otaku e sua personagem favorita, é algo em nível mais alto, é a visão de um rapaz por sua figura idealizada, que por via de regra é inalcançável, e as mulheres que o perseguem são dotadas de defeitos e, na visão dele, tentam machucar ele e ele precisa combatê-las a todo custo, e apenas a sua figura idealizada é perfeita, ele tenta se aproximar mas seus braços não a alcançam, e por mais que ela demonstre que ele pode tê-la, ele mesmo não se acha digno para isso.

    A parte do FPS foi a melhor do vídeo e sintetiza boa parte do que eu mencionei, cara que desenhou mandou bem demais.

    O que acho é que isso acontece muito na vida, não só por famosas, personagens e cantoras, mas mulheres do dia-a-dia, acabamos apaixonados e idealizamos a figura de uma mulher perfeita e tratamos todas as outras como inimigas que querem nos machucar. Isso está muito mais relacionado ao medo de se machucar, ao medo de se expor ao ridículo, ao medo de se decepcionar do que qualquer outra coisa.
    Enfim, adorei o tema, gostei da sua forma de expor o assunto, e me identifiquei com o garoto, até pouco tempo atras achava que todas as mulheres eram insensíveis e que sentiam prazer em machucar quem tentava se aproximar delas.

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    1. Ah, eu interpretei como o menino sendo otaku.
      Mas realmente, o vídeo abre pra uma série de interpretações, cada um entende de um jeito. :P
      Não acho que haja um jeito certo, sabe? Acho que a 'graça' tá aí, em poder interpretar do jeito que quiser :3
      Que bom que gostou do post e que bom que você parou de achar isso das mulheres heheh :P
      Obrigada por comentar!

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  2. Quando ao vídeo, sempre vi como um homem otaku (que tem convívio social) que terminou com sua namorada por causa do 2D (ou ela terminou com ele por causa do 2D) e isso fez ele se trancar em casa e refletir se o mundo 2D valia tanto a pena assim.
    E em sua reflexão, a imagem da namorada dele representa o convívio social e a das outras meninas o mundo 2D e na cena dele com a arma seria ele lutando contra o vício.

    Viajei muito?

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    1. Ah, não acho que tenha viajado UAHUEAHUEHAUA
      Foi como eu respondi pro Hideki ali em cima, o vídeo abre pra diversas interpretações e essa é a "graça" da coisa. :P
      É legal ver as diferentes opiniões xD
      Obrigada por comentar!

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