da web para o papel (3/3) ~ Andreia Kennen




Já vou começar dizendo que essa mulher é muito amor, DEOLS...só por Odin .q
O ultimo post ''da web para o papel'' tem a participação da escritora Adreia Kennen, uma mulher maravilhosa e como ela mesmo diz "formada em Letras e especialista em EAD, beirando os trinta -velha- '' que tem alguns de seus trabalhos publicados pela Draco Editora. Eu fiquei de boca aberta com o depoimento da Andreia, eu amei poder saber como foi essa transição dela durante todo esse tempo. Já aviso que a história é longa mas vale a pena ler cada pedacinho e rir com ela em algumas partes. Eu indico cada fanfic para vocês, principalmente as de Naruto (Eu amo as fanfics de naruto, ainda mais por ela colocar o querido Sasuke-kun como uke e parar com essa coisa de SASUxNARU um pouco. rs Viva ao NARUxSASU. (ღ˘⌣˘ღ) q)
Ps: De uma olhadinha nos conselhos ♥


°°°




Andréia Kennen, essa pessoa aí da foto tendo orgulho em expor suas otakices. É um prazer conhecê-los. o/
Como meu trabalho com fanfics começou?
Bem. Como uma brincadeira. Não sei se todos escritores de fanfic começam assim, mas eu comecei assim e ainda vejo muitos começarem desta forma. Só que hoje o escritor de fanfics mesmo na brincadeira publicam suas fanfics na internet. No meu caso, e na minha época, meados de 1996, não havia internet, ou havia (não sei ao certo xD), mas não era ‘comum’ como os dias de hoje. Então a minha brincadeira começou como os contos antigos da vovó: literalmente “contados”. Eu e minhas primas nos reuníamos nas férias e o assunto era praticamente o mesmo que muitas garotas ainda discutem hoje: bandas de garotos e animes. A diferença era que a banda era os BackStreet Boys e o anime era Os Cavaleiros do Zodíaco (Saint Seiya, que está fazendo 20 anos de Brasil nesse mês).


Da esquerda para direita: Howie D, Nick, Kevin, Brian e A-J.

Agora vejam a foto e tenham o disparate de dizer que os BSB não eram tudo de bom? Aliás, vendo essa imagem agora me fez pensar que eles são muito shipáveis. Só nessa foto tô vendo A-J x Brian, Kevin x Brian (Kevin puto de ciúme com o A-J grudado no Brian. Nick x Howie (ai). Kevin tá no meio de tudo aí, né bonitão?

Devaneios fujoshi a parte. Era isso que nos divertia. E foram nesses bate-papos informais com as minhas primas que começaram a surgir as “fanfics”. Só que com um pequeno detalhe: na época nós não sabíamos que “fanfic” era denominação usada para o que fazíamos. Inventávamos histórias só contadas. Fosse nossa fazendo par com o nosso ‘boy’ preferido da banda que amávamos, fosse a continuação da história dos “Cavaleiros do Zodíaco” que na época nunca saía do início da invasão das 12 Casas.

Porém, eu, particularmente, gostava mais de inventar histórias sobre como seria o final dos Cavaleiros do Zodíaco e como seria o depois do fim, muito mais que ficar viajando nos nossos possíveis romances com os carinhas da nossa banda favorita. Aliás, qualquer semelhança aqui com as garotas de hoje que gostam de fazer fanfics se auto inserindo na história para fazer par com seus ídolos do One Direction, da K-music, J-music, (entre outros) não é mera coincidência?

Bem. De qualquer forma, eu fugia à regra da maioria e preferia a história de anime (meu gosto imutável até hoje) do que a história de viver um romance com o garoto de banda. Conclusão: acabei ficando sozinha com as histórias de animes e, para não perdê-las ou esquecê-las, comecei a escrevê-las em cadernos.

Vejam só! Foi aí, nesse momento, que estava nascendo as minhas primeiras fanfics e eu sequer sabia disso.
Eu lembro que eu fazia até capas para as minhas fanfics e gostava de escrever em cadernos pequenos, porque lembrava o tamanho de um livro.

Olhem aí embaixo: na primeira página eu desenhava a capa e coloria com lápis de cor, na página seguinte era só o título, na outra o índice, na próxima o resumo, e enfim a história. Tudo como manda o protocolo.



A primeira saga que escrevi nesses cadernos foi “A Batalha de Vênus” dos Cavaleiros do Zodíaco. A história se passava depois da batalha das Doze Casas, antes da batalha de Hades. Nessa fanfic a deusa Vênus vinha à Terra a mando de Zeus para convencer sua irmã Athena a abandonar os humanos e entregar a Terra de volta aos deuses. Mas Vênus não reencarnou e sim tomou “posse” do corpo de uma bela jovem burguesa que vive em uma ilha grega com seu irmão. A jovem seria seu recipiente temporário. Vênus ainda traz junto com ela alguns cavaleiros e ergue um templo lindíssimo e meio a uma ilha afrodisíaca. Ela tenta convencer Athena por bem a abandonar à Terra, mas como a irmã não aceita, ela começa agir por mal e atrai Seiya para o seu Templo e o faz prisioneiro, porque percebe que ele é o ponto fraco da irmã-deusa. Não darei mais spoilers porque ainda tenho a pretensão de um dia passar essa fanfic a limpo e publicá-la (consertando obviamente os furos e os erros de português grotescos da época).

Tanto nessa fic, como nas outras que escrevi nesses pequenos cadernos, eu inseri uma leve menção de Yaoi (que eu também não sabia que o termo era esse na época). Shun e Hyoga sempre sofriam por partilharem de um sentimento estranho. Porque, na minha cabeça, depois do famoso capítulo da casa de Libra, não tinha quem tirasse da minha cabeça que havia alguma coisa entre eles. E pior: eu não conseguia achar bizarro. Olha aí, o primeiro indício de que eu era uma fujoshi.

O tempo passou. Mas minha paixão por Saint Seiya não. Na verdade, eu me tornei mais obstinada em saber sobre o final da série que não havia tido conclusão porque a TV Manchete (a emissora que exibia a saga na época) tinha saído do ar sem mais nem menos. Virei uma consumista fervorosa de tudo que o mercado lançava sobre “os animes”. Sim. Com o fim dos Cavaleiros do Zodíaco veio a descoberta correta do termo do “desenho”: anime. Também vieram novas séries no encalço deles e as revistas Herói e derivados que contavam tudo sobre essa “nova invasão” na TV brasileira. De fato, aconteceu mesmo a invasão, as televisões abertas trouxeram: Guerreiras Mágicas, Fly, Dragon Ball, Samurai X, Digimon. A televisão a cabo trouxe Sakura Card Captors, Sailor Moon, Pokemon, InuYasha, Shaman King, entre outros. E as editoras brasileiras finalmente se renderam aos mangás.

Entre esse tempo de tantas novidades escrever fanfics ficou em outro plano para mim. Acabei largando os caderninhos de lado e deixando as folhas amarelarem. Eu estava muito ocupada trabalhando, fazendo faculdade, curtindo as baladas (?). Mas, apesar da chama da minha paixão pelos animes ter diminuído nesse período, ela não se apagou. E a entrada do novo milênio a reascendeu com popularização da ferramenta de interação humana mais fenomenal de todos os tempos: a internet! Com internet em casa obtive acesso a informação e a interação em tempo real.

E foi na busca por novas informações sobre animes que um certo dia me deparei com um site chamado YaoiArt. Lá encontrei links que levavam a histórias que tinha uns alertas estranhos: “lemon”, “lime”, “citrus” e tinha lá também casais: “Hyoga x Shun”? Não pensei duas vezes e cliquei. Pronto. Meu coração veio na boca e quando terminei de ler estava sem ar. O que eu tinha lido eram histórias de outras fãs assim como eu, que idealizaram, escreveram e publicaram, para compartilhar com outros fãs na internet: as fujoshis!

Esse foi o meu recomeço (já que o começo foi com os caderninhos). Depois de ler muitas fanfics Yaoi na internet, de participar e de assistir muito jogo de RPG Yaoi, de participar de alguns concursos em comunidades no Orkut, e ter muitos empurrões dos amigos que conquistei na internet e fora dela, que em 2007 eu criei meu perfil no FanficNet e finalmente publiquei minha primeira longfic, “Os Garotos”, também de Saint Seiya, a qual está em andamento até hoje.

Nesses sete anos como escritoras de fanfics vivi muita coisa, tive muitos sobes e desce. Muito tombos, oscilações de humor e surpresas boas e ruins vindo dessa nova vida que adotei. Tive tempos áureos, fiz muitos amigos, recebi dezenas de reviews. Todos que liam meus trabalhos comentavam que eu escrevia bem.

Até que um belo dia decidi arriscar um pouco mais e explorar novos horizontes, leia-se, um novo fandom (Naruto) e em um domínio de fanfics novo, brasileiro, o Nyah! Se eu já achava que tinha um bom retorno e leitores fieis em Os Garotos no FanficNet (que recebia em média de 08 a 09 reviews por capítulo) eu fui aos céus quando estreei no Nyah! Umas das minhas fanfics, a mais popular no site até hoje, Promiscuos, chegou a média de alcançar 46 reviews por capítulos. Vejam só, para quem não recebia nem 10 reviews por capítulo em Os Garotos, receber mais de 40 reviews em um capítulo de uma única fic foi algo extasiante.

Eu me sentia no auge. Ao menos era o que eu pensava. Ganhando reviews e leitores com histórias baseadas no que os leitores pediam, com muita pegação e sexo rolando a vontade entre adolescentes. Não que pegação, sexo e histórias de adolescentes sejam ruim, mas certamente não era só sobre aquilo que eu queria escrever.

Então comecei a não me sentir bem. As fanfics que eu estava escrevendo não eram as fanfics que aquela “eu” do começo desse depoimento escreveria, não era de longe o que ela escrevia em seus cadernos. Minha intenção sempre foi escrever histórias complexas, com mais profundidades, com suspense, sobrenatural, com romance policial, terror, conflitos familiares.

Por isso que, depois de pedir muitos conselhos (para quem eu realmente confiava), eu decidi enrijecer minha postura e voltar a escrever aquilo que eu queria de verdade e não o que os outros queriam que eu escrevesse. Claro que a minha atitude fez com que eu despencasse do topo como uma pedra. Aliás, passei a receber as pedras. Uma pedrada atrás da outra. Fui perseguida por trolls, sofri Cyber-bulling, fui fakeada no Orkut e a fanfic “A Crise dos Sete”, que tratava de um drama familiar gay e tinha Naruto como seme e Sasuke como uke, foi atacada por haters que não admitiam que eu retratasse o Sasuke como sendo uke (o passivo da relação) naquela época. Bateu então a vontade imensa de parar, de desistir, de jogar tudo para o ar e gritar: chega! Mas é nesse momento que a gente descobre quem são os nossos amigos de verdade. E esses amigos, que acreditavam e afirmavam que eu tinha um talento verdadeiro, não me deixaram vacilar e nem desistir. “É só uma turbulência, ela vai passar”, me diziam. E não é que realmente passou?

Hoje eu escrevo o que eu gosto e veja eu estou muito contente com os resultados. Tenho bons e fieis leitores. Tive dois contos publicados em coletâneas da Draco Editora, um deles é o conto “Meu Amor é um Fenrir” que faz parte da coletânea “Meu Amor é um Mito” e o conto o “Filho da Mata” que faz parte da coletânea “Brasil Fantástico”. Então, hoje, eu me sinto bem com que escrevo, e continuo procurando melhorar sempre.

Aliás, vou deixar aqui alguns conselhos para aqueles que quiserem conselhos (seja iniciante ou não).

Primeiro: escreva o que realmente sentir vontade (sobre o fandom, casal, estilo, gênero que bem entender). Nunca faça algo por modismo ou só para ser popular. Nunca se force a fazer algo que você não queira. Você não sabe o quão nocivo isso pode ser. Você acaba é perdendo o tesão pelo trabalho.

Segundo: aprenda a filtrar tudo que recebe. Não é que você vá deixar de ouvir o que os leitores têm a dizer. Acho importante a interação. Até porque já melhorei muitas ideias a partir de feedbacks interessantes que recebi, mas o que não pode deixar é que esses feedbacks rejam e ditem a ordem do seu trabalho.

Terceiro: faça o possível para ter um bom revisor, ou um colaborador de confiança que seja. Alguém que possa dar uma segunda opinião, um segundo olhar sobre seu texto, sobre o plot, sobre os erros de gramática. Mas esteja preparado para ouvir dele críticas sobre o enredo, sobre as correções. Eu evoluí muito a partir do momento que aprendi a ouvir os conselhos de quem realmente tem bons conselhos para dar.

Quarto: Pesquise. Sempre. Muito. Exaustivamente. Mas divirta-se pesquisando. Não escreva sem pesquisar. Se vai escrever uma fic na Europa, leia muito sobre a Europa. Visite o Google maps. Entre nas cidades, ande pelas ruas, conheça os costumes, a culinária, a cultura, as pessoas. Leia sobre sua história. Se a fic é de época. Leia sobre a história das épocas, aprenda sobre o vestuário, sobre como eles falavam, o que liam, ouviam.

Quinto: Entre no seu texto! Sério mesmo. Abra um portal e transporte-se para dentro dele. Se veja lá. No mundo que criou. No seu universo. Viva o seu personagem. Intensamente. O encarne. Saia andando e falando como se fosse ele. Faça do guarda-roupa outro personagem, dialogue com ele. Ou com o espelho. Com a vassoura. Interprete! Mas certifique-se de não ter ninguém olhando, ou vão tentar te internar no manicômio. xD

Sexto: Inspire-se. Busque inspiração, corra atrás dela, prenda ela junto com você. Ela pode surgir das coisas mais simples do dia-a-dia. Na conversa com um amigo pelo aplicativo do celular, nas compras, no dia de chuva, no passeio no shopping, no parque, brincando com o cachorro, admirando aquele menino lindo passar, ou a menina! Ou até o casal de idosos. A criança na cadeira de rodas. Ouça músicas. Revire os lixos. Leia notícias. Deixe-se chocar! Veja seriados. Filmes. Leia muito. Livros, mangás, doujinshis, outras fanfics!

Sétimo: (e eu vou parar por aqui porque gosto desse número) divirta-se escrevendo! Se você não estiver se divertindo, repense o que está fazendo e recomece. Você precisa estar apaixonada por sua história. Amá-la. Senti-la. Querer vivê-la. Para que a pessoa do outro lado lendo consiga sentir tudo que estava sentindo ao escrevê-la. Sentir sua paixão.

Por último, nunca se esqueça que o conhecimento é uma fonte que jamais seca. Nós nunca sabemos de tudo, tenha isso em mente e você só vai evoluir. Sempre há o que aprender, o que buscar e o que melhorar.
Agradeço imensamente pela Nathalia fazer o convite e por ceder esse espaço no seu Blog com o depoimento dessa humilde serva.
Esse foi um pouco da minha trajetória que eu acredito que esteja no começo e muito longe de ter um fim.
Beijos! o/

Não disse que essa mulher é maravilhosa? Isso mesmo, faça como eu e se apaixone (。♥‿♥。) Hahaha'' para ler as fanfics e mergulhar nesse mundo de maravilhosas histórias de uma olhadinha nos links da Andreia.

 E A PALAVRA DE ENCERRAMENTO É........AMOR !!!




Maka

2 comentários:

  1. Olá, Nath! Você quem foi um amor em me procurar e ceder seu espaço para minha entrevista, para esse depoimento, agradeço muito pela atenção e o carinho!!
    Grande beijooo!!

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  2. Que nada..eu que agradeço pelo seu carinho ao ceder seu tempo para isso. Obrigada de coração. <3
    Beijos.

    ResponderExcluir

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